"Nós, os monarcas, somos incontestavelmente constantes em um mundo em constante transformação. Pelo motivo de termos estado sempre aqui, mas também por não nos envolvermos na política cotidiana. Estamos informados das mudanças políticas que acontecem em nossas sociedades, mas não fazemos comentários sobre isso. É nisso que assumimos uma posição única. Nenhum dos outros monarcas europeus interfere na política."

Margarethe II, Rainha da Dinamarca

segunda-feira, 8 de março de 2010

Estado Forte ?



por: José Celso de Macedo Soares, em 27/02/2010.



Bastaram os fatos que ensejaram a presente crise econômica, em diversos países, obrigarem a intervenção do Estado na economia, para que os eternos estatizantes viessem à tona. Tentaram mostrar que seria necessário um Estado forte intervindo na economia para que as nações pudessem garantir sua prosperidade. O atual governo brasileiro e seus partidários do PT, inclusive sua candidata à Presidência da Republica, logo passaram a defender esta tese. Como sou partidário da tese oposta, menor intervenção do Estado possível, vamos a algumas considerações.Todas as questões financeiras de nossos dias, notadamente as relativas à valorização do meio circulante, dependem do fato econômico irredutível e inalterável: produzir e vender fora do país, vantajosamente, os excedentes da produção sobre o consumo e , aplicar os lucros, intensificando, continuamente, a produção.




Admite-se hoje, geralmente, a conveniência da intervenção do Estado em certas questões de ordem econômica. O direito de legislar e o poder de seu crédito dão-lhe autoridade diretiva em negócios até hoje vedados às suas incursões. A velha concepção da escola individualista do Estado arrecadador de impostos, distribuidor de justiça e mantenedor da ordem, teve de recuar ante a necessidade do exercício da função coordenadora das grandes forças econômicas.




Prevendo crises, preparando soluções, harmonizando interesses, defendendo a produção, legislando sobre tarifas alfandegárias, amparando e fortalecendo as forças vivas nacionais, o Estado moderno realiza funções econômicas tão importantes quanto as suas funções políticas e jurídicas. Mas,devemos tomar cuidado com o estatismo que, pretende a socialização dos instrumentos de produção. A tendência moderna, não há dúvida, é o Estado abandonar os monopólios e entregar à iniciativa privada as empresas que estão em suas mãos. Política acertada do governo Fernando Henrique.




E por que? Porque o estado não pode produzir barato. Ele não distribuirá os dividendos que a iniciativa privada pode alcançar. O Estado como administrador, não pode evitar intermináveis dificuldades e desperdícios inerentes à burocracia e, sobretudo, as intervenções políticas diretas ou indiretas.Realmente o Estado Brasileiro, quando se meteu a gerir empresas, foi um medíocre industrial e mau comerciante. Basta lembrar as empresas estatais como siderúrgicas e telefônicas que, davam prejuízo nas mãos do Estado e passaram a ser rentáveis quando privatizadas. O papel do Estado é acompanhar de perto os surtos da produção agrícola e industrial e o desenvolvimento geral do comércio, principalmente exterior, afim de, por intervenções oportunas e hábeis, coordená-las ou ampará-los, segundo a justa linha divisória dos interesses individuais antagônicos, a qual deve sempre coincidir com a suprema conveniência nacional.




Os governos dos países civilizados, encontram-se, modernamente, no terreno da colaboração, cada vez maior, com os elementos representativos da produção e do trabalho. Solicitam o concurso das classes produtoras, obtendo que seus representantes façam parte de conselhos consultivos que estudam as questões econômicas. Os fatos da recente crise econômica aumentam a responsabilidade dos homens do governo, obrigados hoje a prestar atenção a toda uma série de graves problemas relativos à produção e ao comercio, que até agora não entravam ordinariamente em suas cogitações. Por esta razão é que cada vez mais necessitamos de homens competentes nos postos do governo, que acreditem na iniciativa privada e deixem de lado esta bobagem de Estado forte. Estado forte é aquele que respeita as leis emanadas dos representantes da sociedade devidamente eleitos, e que exerce sua função obedecendo à premissa de que cabe à iniciativa privada produzir e ao Estado harmonizar os interesses contrários , no interesse da coletividade.




Para os adeptos do Estado forte deixo este conselho de Erskine Caldwell, escritor americano: “Um bom governo é como uma boa digestão, enquanto funciona quase não o percebemos”.

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